Como surgem os pensamentos que nos sequestram? Qual é a fonte dessas divagações intermináveis que nos afastam do presente e perturbam nossa paz?

São perguntas que merecem uma investigação profunda. Não estou falando de todo e qualquer pensamento — daquele que utilizamos para resolver um problema, fazer um cálculo ou realizar uma tarefa objetiva. Estou falando dessa torrente involuntária de pensamentos que nos captura, produz fantasias, preocupações, desejos, medos e nos transporta constantemente para um mundo que existe apenas dentro de nossa cabeça.

Existe, sim, um combustível que alimenta grande parte dessa atividade mental, e sua natureza é emocional.

Uma parte expressiva dos pensamentos é ativada por impressões externas.

Quando olhamos para alguma coisa — um carro, uma pessoa, uma casa, uma flor, enfim, qualquer informação de fora — aquilo que é captado pelos sentidos encontra dentro de nós um enorme acervo de memórias, experiências, crenças e conteúdos emocionais. A mente reconhece, associa, compara e atribui significado àquilo que está sendo percebido. Quando essa informação encontra alguma coisa emocionalmente carregada dentro de nós, estabelece-se uma ressonância. A partir daí surgem pensamentos, lembranças, desejos, medos e toda sorte de divagações. É como se uma voz surgisse nessa conexão dizendo: "eu quero, eu tenho medo, eu não gosto, eu me preocupo…"

Portanto, grande parte dos pensamentos que nos sequestram não possui vida própria nem surge aleatoriamente. Eles são manifestações dos nossos próprios processos psíquicos. Carregamos um programa emocional que nos impele a reagir de maneira muito particular àquilo que enxergamos.

Uma flor amarela na campina pode despertar tristeza em uma pessoa e alegria em outra. Depende das conexões que essa imagem estabelece com o acervo de experiências de cada uma. Para alguém, aquela flor pode estar associada ao ramalhete colocado no túmulo de um ente querido; para outro, pode trazer a lembrança de um presente recebido de uma pessoa amada.

A flor é a mesma.

O que muda é aquilo que cada observador coloca sobre ela.

Quando retiramos a carga emocional que projetamos sobre aquilo que vemos, resta o que sempre esteve diante de nós: uma flor. Sem passado, sem história, sem julgamento. Apenas uma flor.

É assim que construímos grande parte do mundo psicológico em que vivemos. A realidade apresenta uma informação; nossa memória estabelece associações; as emoções acrescentam carga; a mente constrói significados e, a partir deles, desenvolve narrativas.

O mundo oferece a informação. A memória oferece o significado. A emoção oferece a carga. A mente constrói a história. E nós chamamos essa história de realidade.

As emoções que revestem aquilo que enxergamos alimentam pensamentos, devaneios e divagações intermitentes. Nesse momento, deixamos de perceber apenas aquilo que está diante de nós e mergulhamos em um universo construído pela mente. Perdemos o contato com o presente e entramos no mundo de Maya, confundindo a realidade com as interpretações que fazemos dela.

Talvez seja esse o olho que nos serve de escândalo e precisa ser arrancado, como ensinou o Mestre dos Mestres. Não o olho físico, evidentemente, mas o olhar condicionado que transforma aquilo que vê em objeto de desejo, medo, aversão ou apego.

Podemos aprender a olhar de outra maneira. É claro que isso exige prática, uma sadhana constante, porque passamos a vida inteira olhando através das lentes dos nossos condicionamentos.

Podemos, por exemplo, olhar para uma moça ou um rapaz como uma expressão espiritual, e não apenas como uma expressão sexual. Podemos olhar para algo que desejamos sem imediatamente transformá-lo em uma necessidade, compreendendo que nosso bem-estar não depende de possuí-lo. Podemos observar aquilo que nos desagrada sem necessariamente acrescentar aversão ao que estamos vendo.

A informação permanece.

O que começa a desaparecer é aquilo que acrescentamos a ela.

Precisamos desenvolver a capacidade de não imantar automaticamente de emoções e desejos tudo aquilo que observamos. Precisamos retirar a importância excessiva das coisas e desenvolver o desapego em relação ao mundo. Se quisermos nos libertar dessa ilusão e vencer o mundo, teremos que aprender a nos desinteressar por aquilo que nos mantém presos a ele.

É preciso retirar a importância excessiva dos objetos, das pessoas e dos acontecimentos, pois essa importância não está necessariamente nas coisas: ela surge da relação que nosso programa mental estabelece com elas. Aquilo que carregamos de desejo, medo e apego começa a ocupar espaço dentro de nós e, pouco a pouco, adquire poder sobre nossa própria existência.

"Onde estiver o seu tesouro, ali estará o seu coração." (Mt 6:21)

Estaremos sempre presos àquilo que nos cativa.

Jesus também ensinou:

"Os olhos são a candeia do corpo. Quando os seus olhos forem bons, igualmente todo o seu corpo estará cheio de luz. Mas quando forem maus, igualmente o seu corpo estará cheio de trevas." (Lc 11:34)

Talvez precisemos aprender novamente a olhar.

Não se trata de controlar ou reprimir as emoções, mas de trazê-las para o campo da consciência, observando o movimento que acontece entre aquilo que vemos e aquilo que imediatamente construímos sobre o que foi visto.

Quando esse mecanismo começa a ser percebido, alguma coisa muda. A emoção deixa de determinar automaticamente o significado; o pensamento perde parte de sua capacidade de nos sequestrar; e aquilo que estava escondido atrás de tantas interpretações começa finalmente a aparecer.

Enquanto não trouxermos consciência às emoções que revestem aquilo que vemos, continuaremos alimentando com elas os pensamentos que constroem o mundo ilusório no qual permanecemos encarcerados.