Comece a olhar para tudo como se estivesse olhando para Deus. Se Ele está em tudo, não faz sentido problematizarmos; temos apenas que reconhecer a sua presença, principalmente naquilo que consideramos errado, inadequado, mau ou reprovável. Afinal, todo perspectivismo entra em xeque quando percebemos que, ao julgar o que quer que seja, estamos julgando o próprio Deus.

Deus se manifesta nas coisas belas e também naquelas que julgamos feias; nas que chamamos de boas e nas que chamamos de más. Essas distinções pertencem apenas ao nosso olhar. A realidade, antes de ser dividida pelo pensamento, é uma só.

O fato de não compreendermos essa totalidade é uma das fontes do sofrimento. Incapazes de abarcar o todo, tentamos atribuir significados definitivos às partes. Julgamos, condenamos, desejamos, rejeitamos. Assim, erguemos um mundo imaginário, sustentado por interpretações, no qual negamos tudo aquilo que escapa à nossa compreensão. Vivemos entrincheirados em conceitos, lutando contra fragmentos da realidade, como se pudéssemos destruir ou transformar aquilo que, no fundo, faz parte do mesmo mistério que também nos constitui.

Talvez a liberdade não consista em vencer essa batalha, mas em perceber que ela nunca existiu fora da mente.

O entendimento que temos de tudo foi construído a partir de percepções. As experiências criam um programa para interpretar os fenômenos, internos e externos. Sem perceber, ficamos presos nele, agindo por comandos, pensando por padrões, operando no automático. Esse programa classifica o que é bom e ruim, belo e feio, certo e errado. Com todas as reações previamente prontas, vivemos na escravidão desses comandos.

Houve, entre os judeus, um homem que apresentou a solução definitiva para essa desconexão do homem com Deus. Ele apresentou um sistema baseado no amor e mostrou que esse elemento é poderosíssimo; uma vez aplicado a partir do nosso olhar, torna-se capaz de curar qualquer ferida emocional, psicológica ou — por que não? — até mesmo física.

Só é possível seguir as suas prescrições se houver uma predisposição em renunciar às programações internas. Oferecer a outra face, não resistir ao mal, não julgar — tudo isso, grosso modo, parece simples, mas exige um esforço monumental de desconstrução. Para que o amor se manifeste e possamos finalmente entender o que é Deus, teremos que nos desapegar de tudo o que nos prende nas grades ilusórias da mente: uma prisão sustentada pela ignorância, movida pelo medo e conduzida pelo desejo.